RUCA * (13 de Fevereiro de 2020)
Infelizmente, e apesar de todos os esforços desenvolvidos por nós e pelos veterinários que a assistiram, não foi possível salvar a nossa querida RUCA, que partiu para o “Céu de Cão” ontem, rodeada de todos os que sempre dela cuidaram e acarinharam. A RUCA partiu serenamente, sem qualquer sofrimento, e, desde já, gostaríamos de sublinhar o seguinte, mais uma vez: No âmbito da nossa missão, que é prestar cuidados a cães com idades avançadas e cães com necessidades especiais e patologias crónicas de vária ordem, temos como prioridade assegurar o seu bem estar e, tanto quanto possível, um elevado nível de qualidade de vida. Temos tido residentes em situações gravíssimas, mas que recuperaram mercê dos cuidados que lhes foram prestados e ainda viveram, felizes, por vários anos, outros que, infelizmente, foram vítimas de problemas agudos e inesperados, que não tiveram solução, e outros casos, ainda, que já eram irreversíveis quando os recebemos, e que permaneceram connosco, sob cuidados paliativos, enquanto tal foi considerado adequado. Não somos, de modo algum, apologistas do prolongamento desnecessário de situações irreversíveis e que impliquem sofrimento para os animais, mas também não procedemos de forma precipitada, e quando, naturalmente com o apoio dos profissionais de medicina veterinária que acompanham os nossos residentes, consideramos adequado proporcionar-lhes uma oportunidade, é isso mesmo que fazemos, durante um período de tempo razoável, mas quase sempre curto, e observando sempre, atentamente, todas as reacções. Ninguém conhece os nossos residentes como nós, que deles cuidamos todos os dias e a todas as horas, e ninguém, como nós, sente a dor de não poder ir mais além em tantos casos, bem como a dor da perda destes seres que tanto amamos, ou, por outro lado, a alegria de os vermos saudáveis, ou a recuperarem dos seus problemas. Isto dito, e que nos perdoem o que foi, no fundo, um desabafo, fundamentado, no entanto, num dia a dia extremamente difícil e que nem sempre é de simples compreensão, voltamos ao caso específico da nossa querida RUCA, que acabou por não resistir à neoplasia que a afectava, e entrou em falência renal, o que determinou a sua partida. Durante os muitos anos que esteve connosco, a RUCA, tal como a sua irmã BERTILDE, não teve senão o nosso carinho e atenção, pois quem as trouxe nunca mais quis saber delas, e, mais recentemente, o privilégio do apoio de um Cãopadrinho absolutamente excepcional, a quem nunca agradeceremos o suficiente. Agora, também esta cadelinha, que se revelou muito doce, e que se tornou muito mais próxima de nós e dos nossos carinhos numa fase já tardia, permanecerá, para sempre, na nossa memória, nos nossos corações, e na “Alma de Cão” desta que foi, verdadeiramente, a sua única casa, em toda a sua longa vida. Querida RUCA…