NINA (5 de Janeiro de 2021)
… Não era nada com este tipo de notícia que desejávamos começar o ano… mas, com crescente tristeza, íamos observando a nossa NINA e acompanhando a deterioração do seu estado, e sabíamos que ela estava por dias. A NINA era uma cadelinha de idade já muito avançada, e tinha-lhe sido diagnosticada uma doença oncológica há cerca de dois meses… mais concretamente, um tumor bastante extenso no pâncreas. A NINA veio para casa com um prognóstico muito reservado, e permaneceu sob cuidados paliativos que lhe proporcionaram algum conforto, mas, infelizmente, a gravíssima patologia era irreversível, e este desfecho inevitável. Esta cadelinha pequenina mas com uma personalidade gigante já era sénior e estava parcialmente cega quando a acolhemos, há já vários anos, em muito mau estado, visivelmente negligenciada. Não foi uma cadelinha nada fácil de conquistar, pois reagia com agressividade à proximidade quer de humanos quer de outros cães, o que nos levou a crer que poderia ter estado acorrentada e ter sofrido maus tratos. Aos poucos, porém, com muita paciência e tacto, a Paula (equipa do P.T.N.) conseguiu ir ganhando a sua confiança, sendo, durante bastante tempo, a única pessoa que conseguia tocá-la e pegar nela sem que a NINA tentasse mordê-la. Gradualmente, porém, foi-se tornando mais sociável, embora tenha mantido, quase até ao fim, o seu feitiozinho dominante em relação aos outros “cãopanheiros”, que, felizmente, sempre o aceitaram… ou ignoraram “filosoficamente”, pelo que a convivência era pacífica. A NINA passava os dias na residência principal do P.T.N., onde, de há uns meses para cá, também dormia… e nesta fotografia, uma das últimas que a Paula lhe tirou, ela estava na cozinha, um dos seus lugares preferidos, onde gostava de “controlar” os movimentos de pessoas e cães, as entradas e saídas, a confecção das refeições, etc.. De todos nós, a Paula é, sem dúvida, a pessoa que mais sente a partida da NINA, que acarinhou e acompanhou até ao fim… com profunda tristeza pela “refilona” com quem partilhou tanto amor… Mas… foi graças a esse amor que a NINA velhinha aprendeu a ser feliz, e a usufruir do conforto e segurança que lhe foram proporcionados nos últimos anos da sua vida. Aqui, neste seu lar.