Pandeireta

* PANDEIRETA * (15 de Junho de 2021)

Parecia eterno, este nosso velhinho tão malandreco e tão querido, mas ontem, ao fim da tarde, chegou a sua vez de partir para o “Céu de Cão”!… Nem sabemos ao certo que idade teria, pois já era velhote quando foi resgatado aqui mesmo, em plena avenida, a tentar desviar-se dos carros, completamente cego e desnorteado. Ainda levou uma leve pancada de um autocarro, de raspão, mas o Paulinho conseguiu agarrá-lo e trazê-lo para dentro do Parque, são e salvo. Sobreviveu a dois AVC’s, o primeiro dos quais, mais grave, o deixou temporariamente imobilizado, de tal modo que nunca pensamos que iria recuperar. Mas, qual quê! – o nosso PANDEIRETA não só recuperou totalmente, como pareceu recuperar as energias da juventude… ao ponto de dar cabo da paciência aos “cãolegas” com quem partilhava o espaço, sempre em cima deles! No novo espaço para onde o mudamos, teve, algum tempo depois, mais um AVC, mais ligeiro, mas que o deixou um pouco mais frágil. Mesmo assim, ainda viveu mais três anos, e, embora já medicado para uma insuficiência cardíaca e, nos últimos dois anos, com DCC – o Alzheimer canino – manteve-se em razoável forma física, activo, e com bom apetite até há pouco tempo. Mais recentemente, porém, já se cansava bastante, e passava muito tempo a dormir. O seu estado agravou-se subitamente, mercê do tempo anormalmente quente que se fez sentir nos últimos dias, e não resistiu a uma embolia pulmonar. Ficamos assim… incrédulos, tristes, com um grande vazio… porque este extraordinário PANDEIRETA era um daqueles “cãopanheiros” carismáticos que, verdadeiramente, nos marcam – e… porque o nosso “Dogossauro” parecia eterno, como dissemos! Mas, na realidade, e no fundo, estávamos conscientes de que a partida deste amiguinho, com os seus intensamente vividos – para o mal e para o bem – e prováveis mais de 20 anos, estaria para breve. Mais uma vez nos unimos, na tristeza da perda, mas também na alegria de excelentes memórias de “Agoras” muito felizes, à nossa queridíssima Amiga Isabel Morgado Kessler, que foi a extremosa “Cãomadrinha” deste cãozinho tão especial. E… será sempre com sorrisos que pensaremos e guardaremos no coração o nosso querido, inesquecível PANDEIRETA!

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