Dinga

* DINGA * (25 de Outubro de 2021)

E lá partiu a nossa querida DINGA para o “Céu de Cão” ontem, ao fim da tarde, tão serenamente como tinha passado o dia – o dia que já sentíamos que poderia ser o último, pois à medida que as horas iam passando, a nossa velhinha ia ficando cada vez mais debilitada, mais ausente. Como tínhamos noticiado, a DINGA estava gravemente doente, com um tumor no baço, e, cientes de que a situação era irreversível e o estado dela era terminal, decidimos trazê-la para casa, para que, ainda que fosse por breves dias ou mesmo horas, ela pudesse estar no seu ambiente, com o máximo conforto, e rodeada dos seus amigos de duas e quatro patinhas. E assim foi… até ao último momento, que ocorreu o mais pacificamente que possa imaginar-se, repleto de carinho e amor! Mesmo assim, estamos infinitamente tristes, e ainda um pouco incrédulos com a rapidez com que tudo aconteceu… em menos de uma semana, o que parecia apenas uma forte gastroenterite a culminar num diagnóstico tremendo, e na nossa impotência perante algo tão grave e tão inesperado! Só não queríamos que a nossa menina sofresse… e isso, pelo menos, foi possível, o que, de certo modo, nos conforta um pouco. Mas agora queremos que a nossa DINGA seja devidamente homenageada, e para tal, aqui fica a sua história: Era uma de quatro cachorrinhos bebés – dois machos e duas fêmeas – que foram abandonados ao portão do Parque da Terra Nova em Fevereiro de 2008. Cadela de porte grande e temperamento tímido, mas com características que denotavam um bom potencial como cão de guarda, a DINGA chegou a ser adoptada, em Abril do ano seguinte (2009) para exercer, numa fábrica, e juntamente com outro cão – um Doberman – precisamente essas funções. Durante o tempo que acompanhamos a adaptação da DINGA, tudo correu bem, e verificamos que tanto ela como o outro cão usufruíam de excelentes condições de alojamento e eram muito bem tratados. Propusemos ao adoptante encarregar-nos da esterilização da DINGA, mas este assegurou-nos que assumia ele próprio o compromisso de a mandar esterilizar com a maior brevidade possível. Confiamos na sua palavra – mas o que depois sucedeu, demonstrou-nos que não devíamos tê-lo feito, e serviu-nos de lição, para o futuro. De facto, cerca de um ano mais tarde, a DINGA foi-nos devolvida, para nossa grande surpresa e indignação, com uma cachorrinha – pois tivera uma ninhada do companheiro Doberman, e passara, alegadamente, a reagir à proximidade deste de forma agressiva!… O adoptante propunha-se manter o outro cachorrinho da ninhada (um macho) mas a cadelinha… pois ali estava, para que a acolhêssemos, juntamente com a mãe! Se não fosse a nossa política de nos mantermos disponíveis para acolher, de novo, os cães que entregamos em adopção – para prevenir abandonos e maus tratos – teríamos reagido de forma diferente perante esta tremenda irresponsabilidade, mas não o fizemos – e por isso, a DINGA cá ficou, juntamente com a sua filhota, a MEL, que, por sinal, viria a revelar-se uma cadelinha com graves problemas de saúde, e que, apesar de todos os tratamentos a que foi submetida, aqui viria a falecer, no início de 2015. Quanto à DINGA, entretanto esterilizada, aqui continuou, connosco… e aqui continuará, para sempre, já não fisicamente, mas na nossa memória e no nosso coração!

VOLTAR