* NODDY * (12 de Julho de 2015)
Ontem, ao princípio da tarde, o nosso pequeno NODDY subiu o último degrauzinho de acesso ao “Céu de Cão”. Com 21 anos, era, seguido de perto pela LILAS, o mais velho dos residentes do P.T.N., e um dos nove cães cegos ao nosso cuidado. O NODDY foi resgatado da via pública, já sénior e cego, e num estado de fraqueza enorme, há já vários anos. Chegamos a temer pela sua vida, pouco depois de o termos acolhido, pois esteve muito doente, com uma infecção respiratória, da qual, porém, recuperou por completo, depois de um longo tratamento. Era um “cãopanheiro” com uma personalidade engraçada, o NODDY, e, embora se desse bem com os outros cães, com quem partilhou alojamento ao longo do tempo, era um pequeno-grande individualista, que gostava do seu espaço e do seu sossego, e também de dar os seus passeios tranquilos, no exterior. Tinha outra particularidade curiosa, o NODDY, que era a de “enterrar” simbolicamente a sua comida, com grande espalhafato de rosnadelas, enquanto raspava o chão (de tijoleira) ou o tapete, “empurrando-o” com o nariz, “para cima” da sua tigelinha, e só começando a comer passados alguns minutos!… Já vinhamos dando conta, desde há alguns meses, do progressivo enfraquecimento do NODDY, e da cada vez maior dificuldade em conseguirmos que ele se alimentasse, pois, se tinha dias em que comia muito bem, com apetite, tinha outros em que rejeitava tudo o que lhe oferecíamos, e bebia, apenas, água. Já tinhamos compreendido que o fim da sua longa viagem estava próximo, o que se tornou mais óbvio, ainda, nos últimos dias, pois o NODDY passava todo o tempo deitadinho, só se levantando, por breves momentos, precisamente para beber água, e recusando toda a alimentação. E o momento do seu último passo chegou ontem, ao princípio da tarde, quando o nosso NODDY se deitou, depois de um golinho de água… e assim ficou, tranquilo, como se tivesse, efectivamente, chegado ao topo dessa escadinha, para além da qual só há serenidade e harmonia!… É claro que nos custou, e que nos custa sempre… é claro que nunca é fácil sentirmos aquela paragem dos batimentos cardíacos e a aquietação da respiração sob as nossas mãos… e saber que não há mais nada que essas nossas mãos possam fazer por aquele ser. Mas… à medida que as nossas mãos se esvaziam da capacidade de cuidar, o nosso coração enche-se de mais e mais Amor, e mais e mais desejo de cuidar dos que ainda não partiram, como se fossem a continuação, em propósito de vida, dos que acabaram de nos deixar. Por isso, até sempre, NODDY pequenino e refilão, NODDY tranquilo e apreciador de cócegas na barriguinha, NODDY querido, único e irrepetível. Aqui continuas, de facto, na nossa, que é a Alma de Cão que VIVE neste lugar! – A Equipa do P.T.N.