Duartinho

* DUARTINHO * (17 de Dezembro de 2017)

De forma totalmente inesperada, o nosso pequeno DUARTINHO partiu, no passado Domingo, para o Céu de Cão. Com apenas 4 anos, era um dos mais jovens residentes do P.T.N., tendo sido resgatado da via pública, ainda cachorro, em estado de extrema desnutrição, em Outubro de 2013. O DUARTINHO foi sempre um cãozinho muito activo – hiperactivo, mesmo – capaz de passar o dia inteiro a correr no cercado onde estava alojado, e a brincar entusiasticamente com a TONINHA. Nunca apresentou sinais de qualquer doença, mesmo passageira, e nem mesmo na véspera da sua partida se comportou de forma diferente do habitual. Na manhã de Domingo, embora activo, apresentava alguns tremores, e procurava os espaços com sol, pelo que foi levado para a nossa pequena enfermaria, para ficar sob observação, e bem aquecido. Não foi fácil apanhá-lo, o que nos deu algum ânimo, pois essa era uma reacção habitual no DUARTINHO, que, desde sempre, detestara que pegassemos nele – designadamente, nas alturas das vacinas e desparasitações, que, uma vez, tiveram de ser efectuadas pela janela do dormitório, com o Sr. José a segurá-lo do lado de dentro, e o veterinário a administrar-lhe a vacina do lado de fora. Este é um apontamento que nos faz sorrir, como outros episódios de que o agitado DUARTINHO foi protagonista, e que preenchem as memórias que dele queremos conservar. Voltando, porém, a Domingo passado, e apesar de não haver quaisquer outros sintomas, os tremores continuavam ao início da tarde, pelo que se contactou o serviço de urgências de uma das clínicas com que trabalhamos. Porém, e subitamente, aos tremores seguiu-se a expulsão de coágulos por via oral e nasal, e o DUARTINHO faleceu, deixando todos em choque, sem ter dado tempo algum de se fazer o que quer que fosse. Descartadas todas as hipóteses de envenenamento, mesmo por ingestão acidental de algum produto tóxico – como detergente, ou outro semelhante – e da ingestão de qualquer corpo estranho, e na ausência prévia de qualquer sintoma, mesmo subtil, que conduzisse à suspeita de qualquer infecção, foi necessário analisar a causa provável de uma morte tão súbita. E o resultado foi tão surpreendente como o próprio acontecimento… morte na sequência de choque hemorrágico agudo, compatível com ruptura de tumor (hemangiossarcoma visceral). Infelizmente, este tipo de tumor é muito agressivo, e, dependendo da sua localização, pode não causar qualquer tipo de sintomas e manifestar-se, apenas, sob a forma de um choque hemorrágico e/ou hipotensor agudo, com desfecho fatal. Foi o que sucedeu, no caso do nosso pequenote, que assim nos deixou, sem aviso prévio que nos tivesse permitido, e aos veterinários, acudir-lhe a tempo. O DUARTINHO teve uma vida curta, e com um começo muito atribulado, mas, depois, ao longo destes 4 anos, foi um cãozinho muito feliz. Não queremos deixar de agradecer à sua dedicada Cãomadrinha, Ana Ferreira Tempera, o precioso apoio e o carinho que, mesmo à distância, sempre dispensou ao nosso pequeno podenguinho. E queremos recordar o DUARTINHO a correr, incessantemente, e a brincar com a sua querida amiga TONINHA, na maior das alegrias, nesta sua casa. Até sempre, pequeno “torpedo”, para sempre continuarás a correr, feliz, na Alma de Cão do P.T.N.! 

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