* DOBER “DOBERZÃO” * (20 de Junho de 2019)
O nosso querido grandalhão não resistiu à doença gravíssima que lhe tinha sido diagnosticada apenas um dia antes, e partiu para o “Céu de Cão” na passada quinta feira, ao final da tarde. O ciclo de problemas graves com residentes, especialmente séniores, e de perdas sofridas durante este mês parece não ter fim, e estamos emocionalmente arrasados… para dizer o mínimo. O DOBER não apresentou quaisquer sintomas relevantes até ao diagnóstico da existência de uma enorme massa tumoral no fígado, na sequência de uma hemorragia rectal explosiva que levou à sua condução, de urgência, ao centro veterinário, conforme oportunamente noticiamos. Infelizmente, este tipo de neoplasia – mais concretamente, hemangiossarcoma, neste caso localizado no fígado – só causa, habitualmente, sintomas quando já é demasiado extensa… e já é, por conseguinte, demasiado tarde para qualquer intervenção. O desfecho era, portanto, previsível, mas deu-se após um dia tranquilo, durante o qual o DOBER tinha comido, voluntariamente, pequenas refeições de canja, e se tinha mantido calmo, e em repouso. Uma nova hemorragia, súbita e maciça, já não permitiu qualquer intervenção, e o nosso querido grandalhão partiu, serenamente, na sua casa, e rodeado da maioria das pessoas de quem mais gostava. O DOBER foi abandonado no Parque da Terra Nova em Julho de 2011, num estado de magreza e fraqueza de tal ordem, que não se segurava de pé. Foi com grande surpresa que, após as observações veterinárias a que foi submetido, se constatou tratar-se de um cão ainda jovem – não mais de 3 anos – e sem qualquer problema de saúde… excepto fome, desnutrição, quase no limite. Ao longo do tempo, com boa alimentação e bons cuidados, vacinação e desparasitações, o DOBER foi recuperando. Mais tarde foi castrado, e tornou-se num verdadeiro gigante… que, no entanto, nunca teve a mais leve noção do seu tamanho nem da sua força, e era tão gentil e submisso que permitia que os outros companheiros de grupo abusassem da sua passividade. Perante isto, a Paula, da Equipa do P.T.N., decidiu tomá-lo sob a sua protecção, e trazê-lo para a residência principal do Parque, onde passou a viver… e a partilhar a cozinha, a salinha, e os passeios no jardim com alguns dos residentes mais pequenos que aqui habitam, o que deu origem a muitas situações divertidas! E… é desse período feliz da vida do nosso “Bom Gigante” – período esse que, de facto, durou até à véspera da sua partida… – que queremos conservar a memória preciosa, bem como da sua imensa doçura. O DOBER teve o privilégio de ser apoiado, nos anos mais recentes, por Cãopadrinhos extraordinários, a quem não podemos deixar, mais uma vez, de expressar a nossa mais profunda gratidão. E… não há mais palavras… só uma saudade imensa, e esta presença, já não física, mas… que jamais se perde ou se esfuma… porque é o que foi e será sempre – AMOR.