* HÉLIO * – 9 de Dezembro de 2016
É difícil, muito difícil, isto de acolher e cuidar de cães com necessidades especiais, sabendo que, em muitos casos, os seus problemas de saúde não têm cura, ou a sua idade é já demasiado avançada para que se possa esperar proporcionar-lhes, ainda, vários anos de um conforto e de carinhos que nunca tiveram, ou deixaram de ter precisamente quando mais deles precisavam. Mas talvez seja ainda mais difícil lidar com situações imprevistas, e de desfecho demasiado rápido para se poder fazer alguma coisa. Foi este o caso do HÉLIO, que partiu ontem para o Céu de Cão, a caminho da clínica veterinária. Este cãozinho, de porte pequeno, foi resgatado da via pública em 2009, já adulto, em péssimo estado, com todos os sinais de ter sido vítima de algum atropelamento ou agressão, praticamente paraplégico e com os membros posteriores totalmente deformados, em resultado de fracturas da bacia e coluna vertebral sofridas sabe-se lá quanto tempo antes, e sem possibilidades, já, de qualquer tentativa de correcção cirúrgica. Com a recuperação da forma física, no entanto, e tratamentos destinados ao controle da dor, além de exercício controlado, o pequeno HÉLIO tornou-se, gradualmente, num cãozinho activo, cheio de energia, e totalmente autónomo, movendo-se, aliás, com grande desenvoltura, apesar da sua visível deformação física. De um modo geral, a sua saúde foi sempre boa, e nunca nos causou qualquer preocupação de maior. Anteontem, porém, o HÉLIO (que teria, actualmente, cerca de 12/13 anos, e já era, portanto, um cão sénior) mostrava-se menos activo, com pouco apetite, e sem vontade de interagir com os outros “cãopanheiros” como de costume, pelo que, aproveitando uma ida à clínica do LUCKY (um dos “Rodinhas” ao nosso cuidado) se decidiu levar, também o HÉLIO, para ser examinado… mas, para nosso enorme choque, teve, durante a viagem, uma súbita e violenta hemorragia pela boca, tendo chegado à clínica já sem vida!… Entre as causas prováveis, os veterinários alvitraram a existência não detectada de um tumor (hemangiossarcoma) ou da formação de um hematoma associado ao baço, ainda como sequela do antigo e grave traumatismo sofrido. Num caso ou noutro, infelizmente, o aparecimento de sintomas é súbito e, muitas vezes, ocorre quando já é demasiado tarde para uma intervenção. Foi este o caso, e não houve tempo de fazer nada pelo HÉLIO. Estamos, como poderão calcular, desolados, chocados, e tentando ultrapassar, com esforço, uma terrível sensação de impotência. Consola-nos um pouco, de certo modo, a consciência de que, ao longo dos sete anos que o HÉLIO viveu aqui, fizemos, por ele, tudo o que estava ao nosso alcance, proporcionamos-lhe conforto, bons cuidados, e carinho, e… sabemos que ele foi FELIZ! Até sempre, pequeno HÉLIO, velhote “empenado” e sorridente – mais um “Inesquecível” do Parque da Terra Nova, e mais um elemento integrante da ALMA DE CÃO deste lugar! – A Equipa do P.T.N.