Teddy

* TEDDY * (19 de Maio de 2014)

Com cerca de 18 anos de idade, e “uma sombra” do ainda magnífico cão-panheiro que preferimos recordar na fotografia deste nosso tributo, o nosso TEDDY partiu ontem para o Céu de Cão. Estava connosco desde Abril de 2008, e a sua vinda para o P.T.N. revestiu-se de contornos tão dramáticos como rocambolescos, que ficaram registados na sua História, publicada no livro “Alma de Cão – Histórias do Parque, com Amor” . e que mais abaixo reproduzimos na íntegra, como forma de honrar a memória deste nosso querido cão-panheiro. Tal como outras, de cão-panheiros com idades muito avançadas e os muitos achaques decorrentes disso mesmo, a partida física do TEDDY não foi inesperada – e havia já cerca de duas semanas que o declínio físico do nosso amigão anunciava a aproximação desse momento, que, finalmente, surgiu ontem, da forma mais serena e pacífica possível, na sua cama, onde, minutos antes, e na presença do Sr. José e da Fátima, da Matilha Humana do P.T.N., se deitara, com um ar de infinito cansaço. Repousou, finalmente, o TEDDY – um cão-panheiro que, nos anos mais recentes, desenvolveu um temperamento especial, e que tanto era um “urso bonacheirão” com as pessoas, como se tornava, de repente, agressivo com os outros cão-panheiros, preferindo viver sózinho, no seu parquezinho privativo, com a sua casa e a sua cama, que não gostava de partilhar. Viveu, pois, conforme a sua vontade, e o que o fazia mais feliz – e sentimo-nos gratos por lhe termos podido proporcionar estes 6 anos de bem-estar, depois de tudo o que passou. Com um “até sempre” ao nosso TEDDY, pois que “viverá” sempre na Alma de Cão deste lugar e nos nossos corações, aqui fica, com todo o nosso Amor, a sua História! – A Matilha do P.T.N.

“O TEDDY está connosco desde Abril de 2008, e recordo-me muito bem da tarde em que fomos buscá-lo.

Chovia muito, e por volta das três horas, ouvimos alguém a chamar pelo Sr. José. O som vinha de perto do portão, mas ninguém tinha tocado á campainha. Ficamos intrigados – era como se alguém quisesse falar connosco, mas, por outro lado, não quisesse ser visto.

O Sr. José dirigiu-se então ao portão, para ver o que se passava – e veio ter com ele um homem, que trabalha na manutenção dos jardins e limpeza dos passeios e ruas daqui de Riba de Ave; em suma, um funcionário da Junta de Freguesia. Ora, o que pretendia ele?

Pois muito bem, fora incumbido de recolher e arrumar um cão, que tinha sido atropelado havia já alguns dias – mas só agora os moradores da rua onde ele se encontrava tinham reparado que o animal não se mexia, o que indicava que deveria estar morto.

O homem lá fora, mas, quando chegara ao local, verificara que, por baixo de plásticos que alguém lhe tinha posto em cima, estava um cão grande, preto e, afinal…vivo! Tivera, então, receio de cumprir a sua tarefa, e com vergonha – para não ter que dizer que tinha medo – precisava de nós para, segundo ele, “arrumar o cão dali”.
O Sr. José lá foi, com ele, mas para avaliar, primeiro, a situação. Deu com o cão efectivamente vivo, mas todo partido, encharcado e cheio de dores, e ficou aflito – não sabia como proceder, o caso não era da nossa responsabilidade… mas sentia que não podia deixar o cão ali, naquele estado.

Veio, então, falar comigo, e combinamos ir buscá-lo. Ora, de volta ao local, a preocupação do tal homenzinho, que ali continuava, era não ser visto connosco, mas também, por outro lado, que ninguém notasse que não fora ele quem recolhera o “morto vivo”. Despachamos o homem como pudemos, sugerindo-lhe que dissesse, a quem de direito, que o cão estava morto, e que tudo tinha sido tratado de acordo com as normas.

Com ajuda de uma manta, eu e o Sr. José improvisamos, então, uma maca, e levantamos lentamente o cão, colocando-o no banco ao lado do condutor, rebatido, do meu carro. Segui de imediato com ele para a clínica de um dos veterinários com quem trabalhamos, que ficou totalmente abismado, quando o viu.

 Entretanto, durante todo o caminho para a clínica, eu fora-lhe fazendo festas na cabeça, para que o animal se mantivesse calmo, e ele respondia, lambendo-me a mão. São estas pequenas coisas que eu nunca mais consigo esquecer na minha vida. Eu estava com um certo receio, porque se tratava de um cão de grande porte, muito ferido, e que eu não conhecia, nem ele a mim. Mas, mesmo assim, ele nunca me rosnou, nunca teve para comigo qualquer atitude que não fosse de confiança e de gratidão.
Foi, portanto, tratado naquela clínica. Teve que ser operado duas vezes, mas nunca mais ficaria com as patas traseiras direitas, uma vez que já tinha outras fracturas antigas, calcificadas – ou seja, sem solução.

Durante o tempo que esteve internado, tive que lhe levar, todos os dias, comida cozinhada – arroz ou massa com carne, porque, devido aos problemas que tinha, não comia ração. Até hoje, não sei se foi por mimo, ou para ter a certeza de que eu estaria lá àquela hora, mas, o que é certo, é que, logo que eu chegava, ele devorava tudo o que eu lhe levava!

Regressou comigo ao fim de uma semana, e, ao longo do tempo, tem vindo, regularmente, a recuperar os movimentos. Anda, brinca, e convive lindamente com todos os outros companheiros caninos… ah, e agora, já come de tudo!”
(Texto de Paula Ferreira Costa – © 2010 de Parque da Terra Nova no livro “Alma de Cão – Histórias do Parque, com Amor”)

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