Anita

* ANITA * (3 de Agosto de 2016)

Precisamos, desesperadamente, que este ciclo negro, de perdas sucessivas, que não nos tem dado tréguas, se interrompa… Precisamos de não ter notícias dolorosas para partilhar… Precisamos de voltar a ter alguma serenidade, e de retomar os cuidados dos nossos residentes sem estes constantes sobressaltos de doenças que se agravam, de estados já debilitados que este Verão horrível não pára de afectar negativamente!… Mas ainda não terminou, este ciclo desgastante, arrasador… terrível!… Ontem, foi a nossa pequena ANITA, a nossa querida velhinha, que nos deixou, e subiu para o Céu de Cão, depois de dois dias de internamento e cuidados veterinários que, infelizmente, não resultaram na recuperação que, apesar de tudo, ainda ousávamos esperar… E tínhamos essa teimosa esperança, porque a nossa ANITA era uma guerreira, e tinha recuperado, já, de tantas coisas que se pensaria não ser possível recuperar… mas, no fundo, talvez soubéssemos que, desta vez, a nossa guerreira não ia ganhar mais esta batalha, pois o seu organismo, que tanto aguentara, já tinha chegado ao limite da resistência. Já era velhinha, a ANITA, quando veio para cá em Novembro de 2010, depois de a termos resgatado de uma vida… que não era vida, acorrentada ao fundo de um quintal sombrio e húmido, mal alimentada, e a parir ninhadas atrás de ninhadas – a última das quais, aliás, foi da nossa responsabilidade acolher, tratar, e disponibilizar para adopção responsável. Dessa última ninhada da ANITA, uma cadelinha voltou, por iniciativa própria (pois fugiu de casa da adoptante e encontrou o seu caminho de volta para aqui…) e aqui ficou, como residente permanente. É a pequena NHÓNHÓ, muito engraçada, e bastante parecida com a ANITA. Quanto à nossa velhotinha, na verdade, rejuvenesceu, depois de algum tempo ao nosso cuidado, e foi, durante cerca de cinco anos, uma cadelinha saudável, muito comilona, e muito “senhora do seu nariz”. No entanto, em Junho do ano passado, sofreu um AVC, e esteve bastante combalida durante algumas semanas, mas, contra todas as expectativas, recuperou, e de forma absolutamente espectacular, atendendo à idade tão avançada, já, tendo mantido, como única sequela visível, a ligeira inclinação da cabecita que se vê nesta fotografia… mas que, mesmo assim, adoramos, pois mostra-nos a nossa querida ANITA em todo o esplendor do seu “sorriso” – com os seus dois dentitos caninos “de javali”… – e da alegria com que sempre nos saudava. Tal como no caso da maioria dos outros queridos “cãopanheiros” que partiram mais recentemente, não temos dúvidas de que, como referimos no início desta homenagem à nossa pequenina, o frio e a chuva que se prolongaram até ao fim da Primavera, e os bruscos e brutais aumentos da temperatura que se lhes seguiram, temperaturas elevadas essas que, com raros dias um pouco mais frescos, continuam, aliás, a massacrar-nos, contribuíram, de forma muito negativa, para a deterioração do estado físico da ANITA, que, apesar de todos os cuidados, e de todo o resguardo que procuramos proporcionar-lhe, como aos outros, foi ficando cada vez mais debilitado, ao longo das últimas semanas, com agravamento significativo durante os últimos dias da passada semana. Só nos resta registar que a partida da ANITA foi, felizmente, e como nos outros casos anteriores, repleta de serenidade, carinho, e… AMOR. E… não, não nos deixou realmente, a nossa querida pequenina do sorriso engraçado… pois continua e continuará AQUI, onde, como todos e cada um dos outros, se tornou eterna – na Alma de Cão do P.T.N. e no nosso coração!

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